É preocupante verificar o quanto o português está a tornar-se uma língua pouco prática para se comunicar em Portugal. A culpa é com certeza desses terroristas de Miranda do Douro com a mania de que grunhir com sotaque é língua, do Alberto João, do Sp. Braga e das Alcoviteiras Unidas de Trajouce (AUT).
Por incrível que pareça, tenho-me deparado no seio de Portugal (no esquerdo que o direito fica mais para lá) com graves problemas com criaturas autóctones, que ainda descontando a reduzida capacidade cerebral, evidenciada por caixas cranianas do tamanho de um mamute juvenil, deviam falar a mesma língua que eu.
Infelizmente, não parecendo ser o caso, visto que após muita tentativa de entendimento entre partes, as ditas criaturas não pareceram reagir em conformidade como seria esperado após o entendimento da minha pessoa.
Espero que com este post, outros que tenham por infortúnio do destino, cruzado o seu ser com um ou mais espécimes desta estirpe me digam o como se livraram disto.
Ora, 99,87% das vezes em que tenho problemas em comunicar o português falado estou perante um sujeito, normalmente de gravata e casaco, e cuja variante é camisa (com gravata ou sem) e casaco, com um penduricalho de uma empresa de telecomunicações ao pescoço e um maço de panfletos publicitários plastificados que só para irritar nem para arder são bons. Os restantes 0,13% estou perante um surdo que não sabe ler os lábios.
Infelizmente para a minha sanidade, a romaria que estes energúmenos realizam na zona onde resido tem se vindo a intensificar, e é aqui que parece que os meus dons linguísticos me deixam ficar mal.
Quando, após ter sido abordado à porta de minha casa, estando eu de gravata (apenas de gravata) e ter ouvido a criatura exprimir-se expansivamente no seu dialecto, tendo chegado à mão a pressão de ar (apenas para indicar que não estava interessado, uma vez que não possuímos um dialecto comum) tendo disparado duas ou três vezes para a alta atmosfera e comendo consequentemente com pedaços de estuque no trombil por me ter esquecido que é coisa recorrente quando se dispara para o ar num espaço fechado, e tendo começado numa berraria em todas as línguas que domino (que vão desde o crioulo do Restelo até ao coimbrão arcaico) insultando o estafermo e as almas que o trouxeram à vida (raio das parteiras) e mesmo assim não tendo conseguido que a dita criatura arredasse pé, desesperei-me.
Agradeci educadamente e fechei a porta.
O tormento tinha passado momentaneamente, mas apenas para recomeçar alguns dias depois quer via telefone, quer via pisarem a armadilha para antílopes que coloquei debaixo do tapete de entrada e começando num berreiro infernal que não deixa ninguém dormir durante 2 ou 3 noites (o tempo que o bicho demora a falecer).
Neste momento já vou na 3ª semana em que estas almas me vêm bater à porta pelos menos de dois em dois dias, apesar do cartaz bilingue (em português e brasileiro) que coloquei na porta onde se lê “PADEÇO DE GRIPE A… E DÓI CMÓ CARAÇAS!!!”, do campo de minas que coloquei no quintal (que por enganou vitimou o carteiro), e da minha figura azeiteira e mal encarada com a pressão de ar à janela do primeiro andar.
O próximo passo é ligar para a
CREDO para me internar estas almas! Aceitam-se sugestões.
Cumprimentos para vocês e para os vossos,
Carpacinto Estruliano