Contagem para o Fim do Mundo

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Enciclopédia da Vida Natural de Carpacinto Estruliano

Fascículo I – Adeptos de sérias televisivas sobre vampiros


Neste primeiro fascículo desta imponente enciclopédia vamos debruçar-nos sobre um conjunto de criaturas que merecem este destaque devido ao seu comportamento agressivo, mau gosto ainda mais agressivo, e algumas deficiências intelecto-cognitivas que vale a pena realçar.

Hoje falaremos dos adeptos de séries televisivas sobre vampiros.

Ora bem… isto tem muito que se lhe diga. O que alguns incautos poderão ver como um saudável passatempo tão lúdico e formativo como arrear na esposa com o ferro de engomar e/ou atirar-se do 18º andar com as cuecas por fora das calças como o super-homem, é na verdade um indicio de uma das mais pavorosas mutações que afecta o Homo Sapiens: a triss… labreguice.

“Ah! Mas os vampiros são fix…” Psst. Calou. Antes de começarem a grunhir que nem os suínos que são vamos ver o que é um vampiro.

Segundo um dicionário da língua portuguesa, vampiro é um “defunto… que sai à noite da sepultura para sugar os sangue dos vivos”.

Traduzindo para português: Naco de carne morta com pernas, com cheiro característico, e possivelmente em avançado estado de decomposição, a precisar de sinalização para voltar para a respectiva campa.

Uhm..! Sexy… ou será antes charme..? Até se me eriçam os pelos da nuca na expectativa de ter um cadáver de um tigre dentes de sabre a jabardar no meu pescoço. Que sonho!

Enfim… não é que os mortos não tenham o direito a andar por aí a morder pescoços (afinal estamos num país livre), apesar de nas noites mais ventosas darem mais trabalho às brigadas de limpeza que lá terão que apanhar os restos que a lepra vai fazendo cair.

Coisas da morte.

Mas mortos à parte, até porque para falar de mortos haverão outros posts, estes dementes com desejos necrófilos, são um perigo para a preservação dos cemitérios e respectivos residentes, que hoje vivem apavorados e atormentados por um mal para o qual não têm solução.

Em comunicado à Assembleia da Republica, a APDF (Associação Portuguesa de Defuntos e Falecidos) expressou preocupação em relação aos comportamentos necrófilos encorajados por séries de vampiros na tv.

“É uma vergonha! Os mortos não se podem defender porque tem as articulações perras! Quem me dera ter sido cremado!” adiantou um residente do cemitérios dos prazeres em Lisboa durante uma conversa com o Pesca Gnu’s.

Assim, o Pesca Gnu’s apela à sociedade portuguesa que não feche os olhos, a quem, por já ter os olhos fechados, é abusado porque os vampiros são fixes!

Cumprimentos para vocês e os vossos,

Carpacinto Estruliano



P.S: Se por ventura és adepto de series de vampiros na tv, necrófilo, e/ou achas que os vampiros são sexy, fixe, ou charmosos, havias de ser mordido no pescoço por um abutre e vê-lo tocar harpa com as tuas carótidas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Telecomplicações

É preocupante verificar o quanto o português está a tornar-se uma língua pouco prática para se comunicar em Portugal. A culpa é com certeza desses terroristas de Miranda do Douro com a mania de que grunhir com sotaque é língua, do Alberto João, do Sp. Braga e das Alcoviteiras Unidas de Trajouce (AUT).

Por incrível que pareça, tenho-me deparado no seio de Portugal (no esquerdo que o direito fica mais para lá) com graves problemas com criaturas autóctones, que ainda descontando a reduzida capacidade cerebral, evidenciada por caixas cranianas do tamanho de um mamute juvenil, deviam falar a mesma língua que eu.

Infelizmente, não parecendo ser o caso, visto que após muita tentativa de entendimento entre partes, as ditas criaturas não pareceram reagir em conformidade como seria esperado após o entendimento da minha pessoa.

Espero que com este post, outros que tenham por infortúnio do destino, cruzado o seu ser com um ou mais espécimes desta estirpe me digam o como se livraram disto.

Ora, 99,87% das vezes em que tenho problemas em comunicar o português falado estou perante um sujeito, normalmente de gravata e casaco, e cuja variante é camisa (com gravata ou sem) e casaco, com um penduricalho de uma empresa de telecomunicações ao pescoço e um maço de panfletos publicitários plastificados que só para irritar nem para arder são bons. Os restantes 0,13% estou perante um surdo que não sabe ler os lábios.

Infelizmente para a minha sanidade, a romaria que estes energúmenos realizam na zona onde resido tem se vindo a intensificar, e é aqui que parece que os meus dons linguísticos me deixam ficar mal.

Quando, após ter sido abordado à porta de minha casa, estando eu de gravata (apenas de gravata) e ter ouvido a criatura exprimir-se expansivamente no seu dialecto, tendo chegado à mão a pressão de ar (apenas para indicar que não estava interessado, uma vez que não possuímos um dialecto comum) tendo disparado duas ou três vezes para a alta atmosfera e comendo consequentemente com pedaços de estuque no trombil por me ter esquecido que é coisa recorrente quando se dispara para o ar num espaço fechado, e tendo começado numa berraria em todas as línguas que domino (que vão desde o crioulo do Restelo até ao coimbrão arcaico) insultando o estafermo e as almas que o trouxeram à vida (raio das parteiras) e mesmo assim não tendo conseguido que a dita criatura arredasse pé, desesperei-me.

Agradeci educadamente e fechei a porta.

O tormento tinha passado momentaneamente, mas apenas para recomeçar alguns dias depois quer via telefone, quer via pisarem a armadilha para antílopes que coloquei debaixo do tapete de entrada e começando num berreiro infernal que não deixa ninguém dormir durante 2 ou 3 noites (o tempo que o bicho demora a falecer).

Neste momento já vou na 3ª semana em que estas almas me vêm bater à porta pelos menos de dois em dois dias, apesar do cartaz bilingue (em português e brasileiro) que coloquei na porta onde se lê “PADEÇO DE GRIPE A… E DÓI CMÓ CARAÇAS!!!”, do campo de minas que coloquei no quintal (que por enganou vitimou o carteiro), e da minha figura azeiteira e mal encarada com a pressão de ar à janela do primeiro andar.

O próximo passo é ligar para a CREDO para me internar estas almas! Aceitam-se sugestões.

Cumprimentos para vocês e para os vossos,

Carpacinto Estruliano